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Mar de Raiva
2004/10/15
  Hora da verdade

Algures em Setembro de 2004


Já que estamos num tempo de honestidade e de verdade, digo-te que estes valores não podem ser usados só quando nos são convenientes, quando afinal de contas são usados como armas de controlo para situações que achamos que estão a sair dos parâmetros que definimos.

Nãos se pode ser honesto só quando queremos que os outros não sintam em demasia, para não nos sentirmos responsabilizados por algum sofrimento que possamos causar.

Não te coloques num pedestal, nem que trates as pessoas como marionetas em que puxas os cordéis e elas agem como desejas e quando te for conveniente, de acordo com as tuas necessidades. Não esperes que as pessoas correspondam e actuem de acordo com o que planeaste ou desejas, não somos máquinas.

Não te admires que cortem as amarras e se afastem, deixem de responder ao bater das palmas e de aparecerem submissos.

O gostar, quer seja como amigo ou algo mais profundo, implica sinceridade, dar-se, mesmo quando não nos é conveniente. Não é o teu caso, se calhar por vezes pode não ser o meu também, mas tu usas e abusas disso.

Habituaste-te a ser o menino prodígio, o centro das atenções, a ter poder e a jogar com ele, que todos vivem para te servir. Que a vida e as situações têm que suceder da maneira que gostas. É egoísmo puro.

Limitaste o teu campo de visão ao teu umbigo. Desconcentra-te de ti mesmo, olha o que te rodeia, mas olha querendo ver e sentir, não te feches em ti.

Não penses que isto quer dizer que não te aprecio ou admiro. Às vezes somos mais duros ou verdadeiros com as pessoas que mais gostamos, se calhar porque achamos que vale a pena.

Eu não sou isenta de reflexão nem de tropeços, é verdade que recorri a ti algumas vezes porque precisava de um ombro amigo, porque queria sentir sensações que estavam adormecidas e me fizeram sentir mulher.

Só com o tempo e distanciamento é que vou saber se o que senti era ilusão, carência, ou se correspondia a algum sentimento mais profundo.

Há alguns anos, ou desde que me conheço que tento me libertar de amarras que me foram incutidas por outros, outras por mim. Que me tento descentrar de mim e concentrar-me no que me rodeia, o caminho é turbulento e faz com que encaremos realidades que nos deixam surpresos.

Eu sinto que o meu caminho ainda é longo e que contigo terminou.
 

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2004/10 /


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